Tenho algumas memórias de infância, algumas bem antigas. Tão antigas que chego a duvidar se são de fato memórias ou invenções da minha imaginação.
As memórias mais antigas são de quando eu tinha no máximo três anos e são essas as que mais duvido se são reais. A primeira foi uma picada de escorpião. Eu era pequena, morava na roça, não tinha com quem ficar, meus pais me levavam consigo, forravam um pano no chão e lá me deixavam enquanto trabalhavam, em uma certa ocasião, o escorpião me achou e não teve piedade, não lembro de detalhes, só sei que lembro, ou será uma criação da minha mente?
Outra memória que tenho é da minha família arrumando as coisas para mudar. Iriam deixar a roça para morar na cidade, eu tinha por volta de três anos. Durante a organização minha tia achou uma dentadura. De quem? Não sei. Assim como não sei se isso realmente aconteceu.
Mas tem uma lembrança ocorrida nessa época, que essa sim, eu tenho certeza de que aconteceu! Eu era bem pequena. Minha mãe gostava de por naftalinas no guarda-roupas, na verdade, gosta até hoje. Eu gostava de cheirá-las! As bolas novinhas eram grandes demais para passarem pelas minhas pequenas narinas, mas as pequenas, essas sim eram perigosas! Eis que um dia, enquanto minha mãe arrumava o guarda-roupas achei uma já bem gasta e lá fui eu cheirar. A bolinha entrou no meu nariz e não saía por nada. Resultado: nós morávamos na roça, não havia hospital nem outro tipo de atendimento médico por perto. Meu pai teve que andar a pé por quilômetros para chegar no ponto onde passava carros rumo a cidade, para pegar carona e me levar ao hospital. Após um bom tempo de caminhada a bolinha saiu sozinha, e lá foi ele caminhar todo o trajeto de volta, comigo no colo, para voltar para casa.
Essas são minhas memórias mais antigas. Ou seriam minhas criações mais antigas? Após tantos anos vai ficando difícil saber o que foi real, o que foi inventado!
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