No fatídico ano de 2022, um senhor cuja atividade não contribui em nada para sociedade (muito pelo contrário) resolveu fazer uma visita ao nosso local de trabalho. Iria nos comprar um lanche. Esta pessoa, sempre se apresenta como alguém amigável, sempre bem prestativo e até altruísta em alguns aspectos, fazia isso vez ou outra.
Nessa visita que nos fez, em algum momento surgiu a ideia de ir comprar o tal lanche. para fazer uma pausa em minhas atividades, me convidei a acompanhá-lo. Entrei no carro de 200 mil reais á época, muito confortável. Em demonstração de educação, ele me "cumprimentou":
– Como estão as coisas?
Não lembro o quanto pensei na resposta. Eu queria não dar a resposta padrão? Nunca vou lembrar. O fato é que na época nós estávamos passando um aperto financeiro desgraçado. 2022 foi um ano em que não comemos carne vermelha, assim o lembramos. Não recordo as palavras exatas, mas relatei a triste realidade da falta de dinheiro. A resposta dele me pegou desprevenido:
– Ué? É só trabalhar mais.
A vontade de me jogar do carro em movimento não foi nula. Na época eu trabalhava umas 10 horas por dia todos os dias. Sem contar intervenções fora do expediente. Não dava nem pra ter uma "sobrevida" direito, quanto mais, vida.
Desde então evito qualquer contato. Mas extraio tudo que me convém de nossas inevitáveis interações. Não me comove nem um pouco toda a choradeira resultante da troca de governo e eventual regulamentação do segmento em que atua. "Vai inviabilizar a atividade." é o que sempre ouço. Queria bastante que fosse verdade. Mesmo assim, desde então, o carro passou a ser um de 250 mil. Depois outro de 260 mil. E ainda não vi um resquício de trabalho produtivo pro mundo.
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